Circuito RC com CargaNovo problema1. O que muda?2. Função transferência completa3. Comparando com o circuito SEM carga4. Variando a Carga (com valores)Caso 1: Sem carga significativaCaso 2:
Considere agora:
xxxxxxxxxxRVin ──────────/\/\/───●────────●───── Vout│ |=== C RL <-- (Instrumento medidor!?)| |GND GND
Ou seja, temos um resistor de carga
Note: Muda tanto o ganho em regime permanente quanto a constante de tempo.
O capacitor continua ligado ao terra, mas agora ele não está sozinho: existe
A resistência vista pelo capacitor é:
portanto:
e a constante de tempo passa a ser:
Mas há uma segunda consequência importante: em DC, o capacitor se comporta como circuito aberto. Portanto sobra simplesmente um divisor resistivo:
xxxxxxxxxxR Vout RLVin ───/\/\/─────●────/\/\/────+|GND
Assim:
Portanto uma carga menor (mais baixa resistência), o que reduz a tensão final.
Podemos deduzir a função transferêncoa via impedâncias.
A impedância do capacitor é:
Como
Logo:
Multiplicando numerador e denominador por
Agora temos simplesmente um divisor de tensão:
Assim:
Multiplicando numerador e denominador por
Expandindo:
Assim a nova função transferência fica:
Podemos colocar na forma padrão:
Como:
temos:
Essa expressão é significativa.
porque separa claramente duas coisas:
Novo ganho DC:
Nova Constante de tempo:
Se:
então:
e então:
Portanto:
que é exatamente a mesma função do nosso circuito RC original (lembrar em: Obtendo função transferência do circuito).
IMPORTANTE: Notamos que o circuito RC ideal que analisamos inicialmente pressupunha uma carga infinita, ou seja, que nada estava consumindo corrente da saída.
Considere fixos:
Suponha:
Então:
e:
A tensão final será:
aproximadamente:
Praticamente os 5 V.
Agora:
Logo:
Mas a tensão final será:
Agora
portanto:
e:
Conclusão final: O valor de
Para um degrau:
temos (genericamente):
onde:
e:
assim:
e a resposta (genérica) será:
ou especificamente:
Isso permite mostrar duas mudanças simultâneas:
Ou seja, a carga resistiva não apenas reduz o ganho — ela também modifica a dinâmica do sistema.
Podemos simular o comportamento do circuito para os 3 valores de carga que estamos considerando:
e ver o que acontece.
xxxxxxxxxx% circuito_RC_cargas.m% Circuito RC pasa-baixa% Variando carga e aplicanco degrau
pkg load control
s = tf('s');
R = 1e3;C = 1e-6;
RL1 = 1e6;RL2 = 10e3;RL3 = 1e3;
H1 = RL1 / (R + RL1 + s*R*RL1*C);H2 = RL2 / (R + RL2 + s*R*RL2*C);H3 = RL3 / (R + RL3 + s*R*RL3*C);
figure;
step(5*H1, 5*H2, 5*H3, 0.005);% hold on;% step(5*H2, 0.005);% step(5*H3, 0.005);
grid on;
legend('RL = 1 Mohm', ... 'RL = 10 kohm', ... 'RL = 1 kohm', ... 'location', 'southeast');
xlabel('Tempo (s)');ylabel('Vout (V)');
title('Efeito da carga resistiva na resposta ao degrau');O gráfico gerado mostra claramente as três situações:

Podemos fazer exatamente o mesmo teste com uma senoide.
E aqui lsim() torna este teste interessante.
Por exemplo:
ou seja, colocando uma senoide de 100 Hz na entrada do circuito:
xxxxxxxxxx% circuito_RC_cargas_seno.m% Circuito RC pasa-baixa% Variando carga e aplicanco senoide 100 Hz na entrada
f = 100;Vm = 5;
T = 1/f;t_fim = 2.5*T;t = 0:1e-5:t_fim;
Vin = Vm*sin(2*pi*f*t);
[Vout1, t] = lsim(H1, Vin, t);[Vout2, t] = lsim(H2, Vin, t);[Vout3, t] = lsim(H3, Vin, t);
figure;plot(t,Vin, t, Vout1, t, Vout2, t, Vout3, 'LineWidth', 1.5);
grid on;
xlabel('Tempo (s)');ylabel('Tensão (V)');
legend('Vin', ... 'RL = 1 Mohm', ... 'RL = 10 kohm', ... 'RL = 1 kohm', ... 'location', 'southeast');
xlabel('Tempo (s)');ylabel('Vout (V)');
title('Efeito da carga resistiva na resposta senoidal');Deve ter sido gerado um gráfico como:

Note a combinação de:
Modelo ideal:
xxxxxxxxxxRVin ───/\/\/───●───── Vout│=== C|GND
“Vamos medir Vout.”
O que accontece:
xxxxxxxxxxRVin ──────────/\/\/───●────────●───── Vout│ |=== C RL (Instrumento medição)| |GND GND
Questão:
— “O que acontece se o instrumento conectado à saída tiver uma resistência de entrada finita e eventualmente baixa?”
A resposta é: o instrumento vira
Foi comprovado anteriormente que:
e também:
E se intercalamos um "buffer isolador" entre a saída do circuito RC e nosso instrumento?
Obs.: um "buffer isolador" é um circuito com amplificador operacional na configuração não inversora, ganho unitário, que atua como um simples "seguidor de tensão", mas com uma característica muito desejável neste caso: impedância de entrada muito alta (
Símbolo do Amplificador Operacional e pastilha de exemplo: uA 741:
Para saber mais sobre Amp.Op.:
No nosso caso nosso circuito RC ficará como:
xxxxxxxxxx| \R Vout1 | \Vin ──────/\/\/───●─────────| 1 >──────●──── Vout| | / || | / || Buffer || Isolador RL (o próprio medidor)│ |=== C |│ |│ |GND GND
O op-amp ideal possui:
e:
Portanto ele praticamente impede que a carga do segundo estágio (o próprio instrumento medidor) seja refletida sobre o primeiro.
Note: Se abrem novas possibilidades de análise/modelagem com base no simples circuito RC inicial:
Fernando Passold, em 12/08/2026