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Simulações num Circuito RC


Efeito do R e do C

Seja o seguinte circuito RC:

Primeiramente vamos separar o efeito de R e C.

Nossa função de transferência é:

H(s)=1RCs+1

onde:

τ=RC, corresponde à constante de tempo do circuito.

Para uma resposta ao degrau, R e C individualmente não importam tanto quanto o produto RC.

Por exemplo:

R=1kΩ,C=1μF

gera:

τ=1ms

mas:

R=10kΩ,C=100nF

também produz:

τ=1ms

As duas respostas ao degrau serão exatamente iguais.

Simulando Degrau no Ocatve

Usando a função step() para simular o degrau na entrada de um sistema.

Podemos executar o código abaixo para verificar a resposta ao degrau unitário:

Código Octave [degrau_RC_1.m]:

Deve ter sido gerado um resultado gráfico como:

degrau_RC_1.png

Isso mostra a resposta ao degrau unitário.

Se quisermos simular um degrau de 5 V:

Agora o gráfico ficou como:

degrau_RC_1_5V.png

e a resposta será:

Vout(t)=5(1et/RC)

 

Variando valores de R

Considere por exemplo:

C=1μF

e:

R=1kΩ,10kΩ,100kΩ

No Octave, [degrau_RC_varia_R.m]:

Deve ter sido obtido um gráfico como:

degrau_RC_varia_R.png

Aqui notamos claramente o papel da constante de tempo:

τ=RC

Note: Aumentar R torna o capacitor mais lento para carregar.

Fazendo a mesma coisa variando C...

 

Variando valores de C

Agora fixamos:

R=1kΩ

e fazemos:

C=100nF,1μF,10μF

Problema Proposto: Simular este caso, mostrando o resultado gráfico obtido.

O resultado deve ficar semelhante com:

degrau_RC_varia_C.png

Isso nos permite chegar experimentalmente à conclusão de que: — o que importa é:

τ=RC

 

Simulando Circuito RC com Senóide

Como simular uma senoide na entrada deste circuito?

Usamos a função lsim().

Temos:

H(s)=Vout(s)Vin(s)

e podemos fornecer à função lsim():

O Octave calcula numericamente Vout(t).

 

Senoide de 100 Hz

Vamos usar:

R=1kΩ, C=1μF

portanto:

τ=1ms

e uma entrada:

Vin(t)=5sin(2π100t)

ou seja, uma senóide oscilando em 100 Hz.

Código Octave para simular o seno: [circuito_RC_seno_1.m]:

Neste caso, estamos informando ao Octave:

Vin(t)=5sin(2π100t)

e:

H(s)=1RCs+1

e pedindo que se calcule:

lsim(H,Vin,t)

para determinar a saída Vout(t).

Resultado esperado:

circuito_RC_seno_1

O que vemos no gráfico?

Para: f=100Hz,

temos:

ω=628,3rad/s,

e:

ωRC=0,6283

A magnitude final é:

|H(jω)|=11+0,62832

|H|0,847

Portanto uma senoide de 5 V terá aproximadamente:

Vout,pico=5(0,847)

Vout,pico4,24V

Além disso, note a defasagem:

ϕ=arctan(0,6283)

ϕ32,1

Note no gráfico:

Variando a frequência da senóide

Agora vamos variar a frequência.

Podemos programar no Octave: circuito_RC_seno_varia.m:

Esse código permite gerar gráficos como os motrados à seguir

10Hz32Hz100Hz
100Hz316Hz1KHz
fc/10 Hzfc Hz10*fc Hz

Ou de forma animada, variando a frequência de entrada, podemos perceber:

circuito_RC_seno_animado.gif

Problema Proposto: simular os casos acima e apresentar os resultados obtidos.

E se o R variar?

Uma experiência diferente: o que ocorre se variar o R?

Podemos manter:

C=1μF

e:

f=500Hz

e variamos:

R=100Ω,1KΩ,10KΩ.

Como:

fc=12πRC

teremos:

RCfc
100 Ω1 µF1,59 kHz
1 kΩ1 µF159 Hz
10 kΩ1 µF15,9 Hz

Portanto, para a mesma senoide de 500 Hz, deve ser percebido que:

Problema Proposto: simular os casos acima e apresentar os resultados gráficos obtidos.

Deve ter sido obtido algo como:

R=100ΩR=1KΩR=10KΩ
100R1K10K

 

Questão: “O que o resistor está fazendo com a senoide?”

A resposta matemática é:

|H(jω)|=11+(ωRC)2

Mas a interpretação física poderia ser:

"Quanto maior o RC, mais difícil é para o capacitor acompanhar mudanças rápidas da tensão de entrada."

 

E se variar C?

Vamos variar C...

Fixamos:

R=1kΩ

Mantendo:

f=500Hz

e variamos:

C=100nF,1μF,10μF

Temos agora:

RCfc
1 kΩ100 nF1,59 kHz
1 kΩ1 µF159 Hz
1 kΩ10 µF15,9 Hz

Problema Proposto: simular os casos acima e apresentar os resultados obtidos.

Deve ser obtido algo como:

C=100nFR=1μFR=10μF
100nf1uF10uF

 

Resumo

 

Conclusões Finais

Note como podemos analisar circuitos (ou outros sistemas físicos):

resumo_finlal_laplace.png

Percebe-se por que a transformada de Laplace é tão poderosa para engenharia: em vez de resolver novamente uma EDO para cada nova entrada, você caracteriza o sistema uma vez por H(s) e depois pode investigar diferentes entradas, tempos e frequências com ferramentas computacionais (step(), lsim() e bode() ).


Fernando Passold, em 12/08/2026