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Respostas Temporais de Sistemas Lineares


Relações plano-s vs respostas ao degrau

Aula de 08/09/2026

Objetivos:

Simulando alguns sistemas...

  1. Supondo que se queira simular o mapa com localização dos pólos e zeros no plano-s e resposta ao degrau de um sistema de 2a-ordem:

G(s)=9s2+2s+9

Este sistema segue a forma genérica:

G(s)=ωn2s2+2ζωns+ωn2

Note que nesta expressão os termos em s0 tanto no numerador quanto denominador de H(s) são os mesmos (ωn2). Quando isto ocorre, podemos garantir que a resposta à uma entrada degrau unitário neste sitema vai tender à y(t)|t=1. Este valor final também é chamado como ganho DC (ou ganho estático) de uma planta ou sistema.

Podemo calcular o valor fina de saída de um sistema em regime permanente. aplicando limty(t), ou mais fácil, usando o Teorema do Valor Final da Transformada de Laplace que diz que:

y()=limty(t)=lims0sY(s),

onde neste caso, Y(s)= resposta ao degrau para este sistema, ou seja:

Y(s)=U(s)H(s)

(U(s)= transformada de Laplace da entrada degrau, neste caso: U(s)=1/s)

O que implica:

y()=limty(t)=lims0sY(s)=lims0s(1s)(ωn2s2+2ζωns+ωn2),

E resulta em:

y()=lims0s(1s)(ωn2s2+2ζωns+ωn2)=lims0ωn2s2+2ζωns+ωn2=ωn2ωn2=1

ou, resumindo, uma saída que tende para 1 em regime permanente (para entrada degrau unitário).

Voltando ao sistema sob interesse:

G(s)=9s2+2s+9

Realizando os comandos no Octave/Matlab:

Note o par de pólos complexos conjugados: s=1±j2,8282.

Obtendo o mapeamento de pólos e zeros (que não existem neste caso) no plano-s e obtendo siua resposta ao degrau:

pzmap_G.png

step_G.png

Podemos obter mais informações sobre a resposta ao degrau aplicando o comando stepinfo():

 

Pólos Dominantes

Objetivo geral: a idéia agora é enteder a predominância de certos pólos na resposta temporal de um sistema.

A idéia é começar uma associação mental/visual entre pólos no plano-e e suas respostas temporais, para ao final compreender porque certos pólos podem ser "negligenciados" na resposta de um sistema.

Exemplo 1

Vamos verificar o que ocorre quando:

Para tanto, no Octave/Matlab fazemos:

Temos a figura:

fig1.png

Continuando, agora montamos o sistema de 3a-ordem, acrescentando o pólo real em s=8, e garantido ganho unitário (termo 8*17 no numerador):

fig2.png

Note que:

Obs.: o últumo gráfico foi criado com:

 

Exemplo 2

Vamos variar um pouco o sistema anterior, mantendo os par de pólos complexos conjugados (H2a(s), mas alterando a posição do pólos real para s=1, fazendo ele coincidir propositalmente com a parte real dos pólos complexos:

Teremos então:

H4(s)=117(s+1)(s+1j4)(s+1+j4)=17s3+3s2+19s+17

Vamos ver o que ocorre, levantando os gráficos para entender o que ocorre agora:

O mapa dos pólos e zeros no plano-s fica:

fig3b.png

Note o "alinhamento" os pólos no mesmo ponto na parte real do plano-s.

Verificando como fica a resposta ao degrau:

É gerada uma figura como a mostraba abaixo que corresponde à resposta ao degrau para este outro sistema de 3a-ordem:

fig3.png

Conclusão:

 

Exemplo 3

Agora vamos "mover" mais uma vez o pólo real em relação ao par de pólos complexos conjugados. A idéia e localizar este pólo real bem mais próximo do eixo jω em relação aos pólos complexos. Vamos colocar o pólo real em s=0,1:

É gerada a figura:

fig4.png

Vamos ver o que ocorre com a resposta ao degrau deste sistema (sempre comparando com a resposta do sistema de 2a-ordem baseada apenas nos ṕolos complexos):

fig5.png

Conclusão:

Observações Finais

A localização do(s) pólo(s) no plano-s pode fazer uma grande diferença na resposta ao degrau de um sistema, mas geralmente os pólos que não dominam na resposta também possuem um baixao fator de impacto na resposta causado pelo baixo valor do seu "ganho" ou valor do resíduo associado a determinado pólo.

Lembre que:

y(t)=L1{U(s)H5(s)}

Podemos tentar determinar analiticamente esta resposta usando o Octave:

A última parte do cálculo pode ser traduzida para:

Y(s)=1,7s4+2.1s3+17.2s2+1.7s=0,101130(s+0,1)0,050565±j0,011377s2+2s+17=0,101130(s+0,1)0,051829167,32os2+2s+17

onde o módulo e angulo dos resíduos da parte complexa podem ser calculados desta forma:

A tranformada inversa de Laplace sobre a expressão Y(s) anterior, rende algo como:

Note que o Octave não aplica relação de Euler sobre a parte associada com o sin() e cos(),

Mas repare que o pólo em s=1, contribui com esta parte na resposta:

y(t)|p=0,1=1701681e0,1t

Lembrando da Relação de Euler:

Asin(x)+Bcos(x)=a2+b2sin(x+φ)

onde φ=arctan(ba)

Obs.: use atan2(b,a) para obter ângulo no quadrante correto.

E considerando que o fator et se aplica sobre o sin() e cos(), temos algo como:

Aetsin(4t)+Betcos(4t)=et[Asin(4t)+Bcos(4t)]=Retsin(4t+φ)

onde:

R=A2+B2

φ=arctan(BA)

Aplicado neste caso, teremos algo como:

y(t)|s=1±j4=1710et[453362sin(4t)+1001681cos(4t)]

resultando em:

ou finalmente:

y(t)|s=1±j4=0,1037etsin(4t+77,32o)

ou uma expressão completa como:

y(t)=0,101130e0,1t0,1037etsin(4t+77,32o)

Transformando a equação anterior num gráfico, obtemos:

fig6.png

E fica mais fácil perceber como os pólos complexos não dominam na resposta deste sistema.

O gráfico anterior foi obtido com os comandos:

Fim.

 


Fernando Passold, em 08/09/2026